Como configurar conversões no Google Ads do jeito certo

Se a sua conta de Google Ads não sabe medir uma conversão direito, todo o resto é chute caro. Os lances inteligentes, o público, o orçamento, tudo depende de um único número: quantas vendas ou leads reais aquele investimento gerou. Quando esse número está errado, o Google não trava, ele obedece. Ele passa a comprar cliques que parecem bons no relatório e não pagam a conta no fim do mês.

A resposta direta é esta: configurar conversões no Google Ads do jeito certo significa medir apenas o que é dinheiro no seu negócio, medir uma única vez cada evento, atribuir o valor correto a ele e dizer ao algoritmo qual conversão importa de verdade. A maioria das contas erra em pelo menos um desses quatro pontos, e é por isso que gasta bem e vende mal.

Neste guia eu vou destrinchar o que conta como conversão, os tipos que existem (lead, compra, chamada, WhatsApp), como a tag do Google e o GA4 se encaixam, a diferença entre conversão primária e secundária, deduplicação, contagem, valor de conversão, importação do CRM e os erros clássicos que fazem o lance inteligente comprar o clique errado. É denso de propósito, porque é aqui que o dinheiro escorre sem ninguém ver.

O que é uma conversão, de fato

Conversão é qualquer ação que você definiu como valiosa e que uma pessoa completou depois de interagir com o seu anúncio. Simples de dizer, fácil de estragar. O erro nasce quando você marca como conversão algo que não é venda nem intenção real de compra.

Existe uma diferença enorme entre "a pessoa chegou perto de comprar" e "a pessoa comprou". Uma visita à página de contato não é conversão. Um clique no botão de WhatsApp pode ou não ser, depende de o cliente ter mandado mensagem de verdade. Se você trata proximidade como resultado, ensina o algoritmo a trazer gente que chega perto e some.

A pergunta que resolve quase tudo é esta: essa ação, se acontecer mil vezes, coloca dinheiro no meu caixa? Se a resposta for "talvez", ela não é uma conversão primária. Ela pode virar um sinal secundário, e já vamos falar disso, mas não pode ser a bússola que guia o seu lance.

Guarde este princípio porque ele volta o guia inteiro: o Google otimiza para aquilo que você marcar como sucesso. Marcou a coisa errada, ele fica excelente em trazer a coisa errada, e com uma eficiência assustadora.

Os tipos de conversão que importam no dia a dia

Nem toda conversão é igual, e configurar cada tipo tem uma pegadinha própria. Vamos aos quatro que aparecem na esmagadora maioria das contas.

Lead (formulário)

É o clássico do negócio de serviço. A pessoa preenche um formulário e você conta isso como conversão. O ponto crítico é disparar o evento no momento certo: só quando o formulário é enviado com sucesso e mostra a mensagem de "recebemos seus dados", nunca no clique do botão.

Muita conta dispara o lead no clique, e aí conta gente que clicou, viu que o formulário era grande e desistiu. O número infla, o custo por lead parece ótimo no painel, e o comercial reclama que "não chega ninguém". A causa está no gatilho errado.

Compra (e-commerce)

Aqui a conversão é a venda confirmada, disparada na página de obrigado ou pelo evento de compra da plataforma. O que separa uma boa configuração de uma ruim é o valor. Compra sem valor de conversão é meia configuração, porque o Google não consegue distinguir a venda de R$ 90 da venda de R$ 1.200.

Se você vende produtos com tickets diferentes, mandar o valor de cada compra deixa de ser luxo e vira o alicerce das suas campanhas de valor. Sem isso, o algoritmo trata todas as vendas como iguais e persegue quantidade, não faturamento.

Chamada (ligação)

Para quem vende por telefone, a ligação é conversão de verdade. O Google consegue medir chamadas a partir do anúncio, a partir de um número no site rastreado por ele, ou cliques no número em celular. O detalhe que muda o jogo é a duração mínima.

Configure a conversão de chamada para contar só ligações acima de um tempo mínimo, por exemplo sessenta segundos. Ligação de dez segundos costuma ser engano ou pessoa perdida. Contar essas chamadas curtas ensina o algoritmo a atrair quem liga e desliga.

WhatsApp e mensagens

Esse é o mais mal configurado do Brasil inteiro. A maioria conta o clique no botão de WhatsApp como conversão, e clicar não é conversar. A pessoa clica, o WhatsApp abre, ela lê a saudação automática e fecha sem mandar nada. Você contou uma conversão que não existiu.

O jeito certo é medir a mensagem recebida, não o clique. Isso exige integração entre o clique do anúncio e a conversa de fato, algo que a gente resolve pelo rastreamento de ponta a ponta. Se hoje a sua conta conta cliques em botão de WhatsApp como conversão, é quase certo que o seu custo real por conversa está muito acima do que o relatório mostra.

Relatório de campanha impresso, com índice de qualidade e CTR

A tag do Google e o GA4: quem faz o quê

Aqui mora uma confusão que atrapalha muita gente. Existem duas formas principais de a conversão chegar ao Google Ads, e elas não são a mesma coisa.

A primeira é a tag de conversão do próprio Google Ads, hoje entregue pela Google Tag (a etiqueta única que você instala no site). Ela dispara direto no evento, um lead, uma compra, e reporta a conversão para o Ads na hora. É o caminho mais direto e o que eu prefiro para os eventos que puxam o lance.

A segunda é importar conversões do GA4, a ferramenta de analytics do Google. Você marca eventos como conversão no GA4 e os importa para dentro do Ads. É útil para eventos que já vivem no analytics e para ter uma visão de jornada, mas adiciona uma camada de atribuição própria do GA4 que pode divergir da tag nativa.

A regra prática que uso: para os eventos que guiam o lance inteligente, dou preferência à Google Tag nativa, mais rápida e mais previsível. Para enriquecer análise e trazer eventos secundários, o GA4 ajuda. O erro fatal é importar o mesmo evento pelos dois caminhos sem controle, porque aí você conta a mesma venda duas vezes. Se você quer entender a fundo como as duas ferramentas conversam, vale ler o nosso guia sobre a integração entre GA4 e Google Ads, que detalha o fluxo dos dois lados.

Conversões primárias e secundárias: a mudança que salvou muita conta

O Google separou as conversões em dois grupos, e entender isso conserta metade dos problemas de otimização. Conversão primária é a que entra na coluna "Conversões" e guia o lance inteligente. Conversão secundária fica em uma coluna separada, serve para observação e não influencia o algoritmo.

Isso é ouro. Antes, se você quisesse acompanhar um sinal fraco, tipo "adicionou ao carrinho", era obrigado a colocá-lo junto das vendas, e ele contaminava a otimização. Agora você marca a venda como primária e o "adicionou ao carrinho" como secundária. O algoritmo mira a venda, e você continua vendo o carrinho no relatório sem que ele estrague o lance.

A regra de bolso é esta: primária é só dinheiro, ou o proxy mais próximo de dinheiro que você tem. Todo o resto, visitas, cliques em botão, tempo em página, downloads, vai para secundária. Se a sua conta tem cinco conversões primárias ativas e três delas não são venda, é aí que começa o vazamento.

Faça a limpeza sem medo. Passe para secundária tudo que não é caixa e deixe o algoritmo perseguir o que paga a conta. É a mudança de configuração mais barata e mais poderosa que existe.

Fazer isso direito exige rotina, e rotina é justamente o que falta em quem já toca o negócio sozinho. É aí que a Agência D'avila entra: cuidamos da conta com a frequência que ela pede e explicamos cada decisão antes de tomar.

Deduplicação: contar uma venda uma vez só

Deduplicação é o mecanismo que impede o Google de contar a mesma conversão mais de uma vez. Parece detalhe técnico, mas conta inflada por duplicação é uma das razões mais comuns de o lance inteligente enlouquecer.

O caso mais frequente acontece quando você tem a Google Tag disparando no navegador e, ao mesmo tempo, envia a mesma conversão pela API de conversões do lado do servidor. Sem um identificador único que diga "essa venda aqui é a mesma que já reportei", os dois caminhos contam, e uma venda vira duas.

A solução é o transaction ID (ou order ID). Você envia o mesmo identificador único da transação nos dois caminhos, e o Google entende que é o mesmo evento e conta uma vez só. Isso é padrão para e-commerce, porque cada pedido já tem um número, e é indispensável quando você combina rastreamento no navegador com envio pelo servidor. O conceito é irmão do que explicamos no guia sobre a API de conversões e como o servidor entra na jogada, que trata da mesma lógica no ecossistema Meta.

Se você desconfia de duplicação, o sintoma é claro: a contagem de conversões do Google fica bem acima do número de vendas no seu sistema. Quando o Ads diz 200 e o seu ERP diz 130, ou você está contando etapas que não são venda, ou está contando a mesma venda mais de uma vez.

Logo do Google na tela

Contagem: uma conversão ou todas as conversões

Na configuração de cada ação, o Google pergunta se ele deve contar "uma" conversão ou "todas" por clique. Essa escolha muda completamente o número que você vê, e a maioria nunca parou para pensar nela.

"Uma" significa que, mesmo que a pessoa converta cinco vezes depois de um clique no anúncio, ele conta uma. É o certo para geração de leads. Não faz sentido um mesmo lead virar cinco conversões só porque preencheu o formulário cinco vezes ou ligou três vezes. Você quer contar pessoas, não repetições.

"Todas" conta cada conversão. É o certo para e-commerce, porque um mesmo cliente pode comprar de novo depois do mesmo clique, e cada compra é receita real e separada. Contar só uma esconderia vendas legítimas.

O erro clássico é usar "todas" em lead. Aí um cliente indeciso que preenche o formulário três vezes vira três conversões, o custo por lead parece um terço do real, e o lance inteligente aposta pesado em uma fonte que na verdade rende um lead só. Confira essa configuração ação por ação, é rápido e conserta distorção grande.

Valor de conversão: o que separa contas amadoras de contas sérias

Valor de conversão é quanto cada conversão vale para o seu negócio. Sem ele, o Google só sabe que "algo aconteceu". Com ele, o Google sabe quanto aquele algo vale, e passa a poder perseguir faturamento, não só quantidade.

Para e-commerce, o valor é a receita da venda, e a plataforma manda esse número dinamicamente, cada compra com o seu valor real. Isso libera as estratégias de valor, tROAS incluído, que só fazem sentido quando cada conversão carrega o seu preço. Se você ainda não domina esse tipo de lance, o nosso guia sobre lances inteligentes no Google Ads mostra por que eles dependem tanto de valor bem rastreado.

Para lead, o segredo é atribuir um valor médio mesmo quando a venda ainda não aconteceu. Se cada lead vale, em média, R$ 60 de negócio fechado, você pode informar isso. Melhor ainda: se leads de origens diferentes valem valores diferentes, dá para diferenciar. Assim o algoritmo aprende que nem todo lead é igual e caça o tipo que fecha mais.

Conta que não manda valor está deixando o Google cego para a parte mais importante: o retorno. Você pode ter mil conversões baratas que não somam nada e cem conversões caras que sustentam a empresa. Sem valor, o algoritmo escolhe as mil baratas, todas as vezes.

Conversões offline e importadas do CRM: fechando o ciclo

Este é o nível que separa quem tem uma conta boa de quem tem uma conta imbatível. A maioria das vendas de serviço e de ticket alto não fecha no site. O lead entra, o comercial trabalha, e a venda acontece dias depois por telefone, WhatsApp ou visita. O Google nunca fica sabendo, a menos que você conte.

Conversão offline importada do CRM resolve isso. Você captura o identificador do clique (o GCLID) quando o lead entra, guarda esse código junto do contato no seu CRM, e quando a venda fecha você devolve para o Google: "lembra daquele clique? Ele virou uma venda de R$ 3.000". Aí o algoritmo aprende com a venda de verdade, não com o formulário.

O impacto é gigante. Sem importação, o Google otimiza para volume de leads, e volume de lead barato costuma ser lead ruim. Com importação, ele otimiza para os leads que realmente fecham, porque passa a enxergar o desfecho de cada um. Duas contas com o mesmo orçamento e a mesma criação rendem resultados completamente diferentes quando uma fecha o ciclo com o CRM e a outra para no formulário.

Montar isso exige três peças: capturar e guardar o GCLID, marcar a venda no CRM com data e valor, e devolver esses dados ao Google. É trabalho técnico, mas é o de maior retorno que existe em uma conta de lead, e é o tipo de fundação que a gente constrói no rastreamento de clientes.

Os erros que fazem o lance inteligente comprar o clique errado

Junte tudo e você tem o mapa dos vazamentos. Todo lance inteligente é um algoritmo de otimização, e algoritmo de otimização faz uma coisa só: persegue o alvo que você deu. Se o alvo está torto, ele acerta o alvo torto com precisão cirúrgica e queima a sua verba com confiança total.

Estes são os erros que eu mais encontro quando abro uma conta que "gasta e não vende":

  • Marcar como conversão o que não é venda. Visita à página de contato, clique em botão, tempo em página. O Google aprende a trazer gente que faz isso e some.
  • Clique de WhatsApp contando como conversa. O custo por conversa real fica escondido, muito acima do que o painel mostra.
  • Contar "todas" em lead. Um lead indeciso vira três conversões e o algoritmo aposta em uma fonte inflada.
  • Conversão duplicada sem transaction ID. Uma venda vira duas, a fonte parece ouro e recebe mais verba do que merece.
  • Nenhum valor de conversão. O algoritmo persegue quantidade barata e ignora o faturamento.
  • Cinco conversões primárias, três sem ser venda. O lance mira uma média poluída e otimiza para o sinal fraco.
  • Trocar de estratégia toda semana. O algoritmo nunca sai do aprendizado e nunca estabiliza.

Repare que quase todos são erros de configuração de conversão, não de campanha. Você pode ter a melhor palavra-chave, o melhor anúncio e a melhor página, mas se a conversão está torta, o lance inteligente vai otimizar para o lugar errado com todo esse capricho. É por isso que a conversão vem antes de tudo. Ela é a instrução, e o resto é obediência.

Como a gente resolve isso na D'avila

Configurar conversão do jeito certo é metade diagnóstico e metade engenharia. Primeiro a gente audita o que a sua conta conta hoje, separa venda de fumaça, corrige contagem e deduplicação e alinha a Google Tag com o GA4 para parar a contagem dobrada. Depois monta a camada de valor e, quando faz sentido, fecha o ciclo com o seu CRM para o algoritmo aprender com a venda real, não com o formulário.

A gente faz isso todos os dias para empresas de Maringá e de todo o Brasil, e é a base do nosso trabalho de Google Ads e de tráfego pago. Não adianta escalar orçamento em cima de uma medição furada, porque você só escala o desperdício. Primeiro a bússola aponta certo, depois a gente acelera.

Se você desconfia que a sua conta está contando a coisa errada, ou se o comercial vive dizendo que os leads não fecham enquanto o painel mostra números lindos, esse é o momento de olhar a fundo o rastreamento de clientes. Fale com a gente pelo contato e a gente faz o diagnóstico da sua medição antes de mexer em qualquer campanha.

João Felipe, fundador da Agência D'avila

João Felipe, fundador da Agência D'avila. Nasceu e cresceu no Japão e hoje opera marketing de performance para empresas no Brasil e no exterior, do tráfego pago ao CRM. Conheça a história.

Quer aplicar isso no seu negócio?

A D'avila é a agência de Maringá especializada em e-commerce, landing pages e sites que nascem prontos para o Google: mais de 60 lojas virtuais e 150 projetos entregues, com o ecossistema inteiro operado do clique ao cliente fiel. Fale direto no WhatsApp, sem compromisso.

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